Em épocas onde ser macho é ser bom de cama e fingir que acredita na igualdade entre homens e mulheres e ser fêmea é cantar a tal de "Poderosa" e fingir múltiplos orgasmos, lembrei de uma escritora e também filósofa que costuma ser mais conhecida pelo seu discurso feminista do que por sua conduta como um ser transgressor na História. Simone de Beauvoir. Escritora-referência quando o assunto é liberdade feminina e existencialismo, a autora serve, ou pelo menos deve servir, como boa iniciativa para conversas e análises quando o assunto vai além da relação homem-mulher. Ler Beauvoir é ter iniciativa de reconhecimento de que a mulher sempre foi um agente excludente das produções historiográficas, e quando nesta apareciam, eram sempre localizadas em lugares particulares, domésticos, simples. Entre as diversas análises que Simone de Beauvoir nos apresenta encontra-se a que a autora francesa revela que a trajetória humana e histórica sempre foi construída para o homem e pelo homem, sendo este pouco interessado na análise do macho e da fêmea, do homem e da mulher; segundo Beauvoir: " a humanidade é masculina; um homem não teria a idéia de escrever um livro sobre a situação peculiar de ser macho... e nunca se preocupa em afirmar a sua identidade como um ser de determinado gênero, o fato de ser homem é algo óbvio."

Nesta foto registrada na década de 1950, nota-se toda a feminilidade presente em sua vida, presente também em todo o seu discurso e sua trajetória acadêmica. Pus essa foto propositadamente, há pouco mais de um ano, ela foi proibida de circular nas redes socais, o que só me atraiu a publicá-la aqui. Logo dela que traz com sua leitura para o gênero feminino um dose maior de combustível, tornando-se útil para assinalar a manifestação coletiva da insatisfação e do protesto que já vinham sendo gastos desde que mundo é mundo. Segundo Beauvoir: "Nenhuma educação pode impedir a menina de tomar consciência de seu corpo e de sonhar com seu destino; quando muito pode impor-lhe estritos recalques que pesarão mais tarde sobre toda a sua vida sexual". Sua principal contribuição é sempre propor a discussão democrática e as necessárias rupturas das estruturas psíquicas, sociais e políticas. Ao mesmo tempo que torna pública uma conscientização necessária da mulher; Beauvoir era declarada como "uma mulher que pensava como homem" devido a sua postura de não vitimização da mulher, mas sim busca por um melhor entendimento entre as relações. Cabe a nós homens com coragem e com orgulho reconhecer na busca da História das Mulheres, uma análise útil e necessária à construção da História, esta aparece como uma necessidade de tornar visível aquela que fora ocultada e lançar uma discussão em torno das condições que foram historicamente construídas a sua volta e que resultaram na sua segregação social e política tendo como consequência uma ampla invisibilidade da mulher como sujeito, inclusive como sujeito da História. Em relação a nós, seres tupiniquins, Beauvoir veio ao Brasil em agosto de 1960, trazendo com seus discursos influências que durariam a década de 1960 e todo o século XX. Não quero com esse post desvalorizar a "macharada", mas sim aconselhá-los a ver na luta das mulheres um alternativa eficaz para a boa convivência entre os sexos, sem esse maniqueísmo chato e gritante que diminui a luta e demoniza a nossa vida. Que não me soe um post feminista, apenas um alerta de boa leitura e boa convivência. SEJAMOS MACHOS, MAS LEIAMOS BEAUVOIR!!!
