Confesso que a primeira vez que ví o livro intitulado As pontes de Madison, desdenhei (pensei: um livro com esse título não poderia ser interessante), desdenhei ainda mais quando soube que era romance (imaginava que fosse um livro estilo Bianca, Júlia e Sabrina, afinal o livro era da minha tia, leitora assídua desse tipo de literatura), mas eu tinha apenas 8, 10 anos. Mal sabia eu que iria ler e reler o livro umas três vezes. Pois bem, aí aparece a versão cinematográfica em 1995, (só vim assisti-lo em 2010) baseado no livro de Robert James Waller, (que me fez ler de verdade o livro) me encantando por completo, me apresentando a simples dona de casa Francesca (Meryl Streep) que não só movida pelo desejo de fugir à sua rotina matrimonial, mas também pelo seu desejo de dar vazão aos seus sentimentos se apaixona por um fotógrafo da revista National Geographic, Robert Kincaid (Clint Eastwood). O filme apresenta em formatos de flash backs, uma paixão necessária a qualquer pessoa. Do desespero dos filhos de Francesca ao - lendo os diários da mãe que havia recentemente falecido - saber que ela havia traído seu pai ao alívio por saber que ela foi feliz na vida somos embalados nesta obra por conversas e danças à luz de velas de pessoas até então desconhecidas, que por diálogos despretensiosos, se encantam um pelo outro. O filme vai além de uma relação extraconjugal, o filme nos mostra um encontro possível, transcedente, necessário. O livro é excelente, mas o filme supera essa excelência nos mostrando um Meryl Streep "quarentona" mas ainda com um olhar de "primeira vez" que não satisfeita com as 4 noites de sonhos inimagináveis, pede pra ser levada "à África" (se é que vocês me entendem) e um Eastwood completo e gentil (incapaz de fechar a porta da casa de forma abrupta, o que faz toda a diferença para a dona de casa). O filme e o livro nem de longe são os meus prediletos, mas encantam qualquer um que teime em assistí-lo. Apesar de assistir várias vezes o filme (só neste ano foram 3 vezes, a última foi ontem) ainda espero com Francesca ver a caminhonete de Kincaid na estrada que leva à sua casa, ainda me desencosto do sofá e espero que Francesca abra a porta do carro de seu marido e vá encontrar com Robert que está a sua espera, debaixo de chuva. Apesar do casal se "encontrar" eles não acabam juntos, o que dá mais possibilidade de histórias como essa acontecerem alí, com a nossa vizinha, por exemplo. A lição que o filme nos deixa é que entre o doloroso existir com ou sem amor, é preferível escolher o último. Inaceitável é passarmos pela vida em brancas nuvens, não sendo capaz de sentir o coração disparar por ninguém, tampouco despertar paixão nos outros. Vai entender. Vamos ser sinceros, talvez nunca "iremos à África", mas peço que possamos permitir a cada dia virem à tona as Francescas e os Roberts que estão dentro de nós, insatisfeitos com a rotina, com a falta de audácia, com a falta de sentimentos, com a falta de amor. E lembrar que tudo começou num encontro inesperado a caminho das famosas pontes cobertas no condado de Madison, em Iowa, interior dos Estados Unidos. Mas como disse Guimarães Rosa a "felicidade se acha é em horinhas de descuido". Indico a leitura do livro, indico verem o filme. Indico viverem uma história parecida. Vale a pena.
Cena do filme As pontes de Madison.

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