sábado, 14 de setembro de 2013

De Audrey Hepburn´s à Julia Roberts: o cinema americano, a prostituta e a nova cinderela

         Que o cinema americano tende a se repetir e continuar criando influências nessa mutante sociedade não há nenhuma novidade, diante disso, personagens cada vez mais significativos se tornam presentes no imaginário do público que não se cansa de se imaginarem como se fossem os próprios protagonistas. Enfim, esse lenga lenga todo é só pra lhes mostrar que a prostituta ainda se encontra permanente e viva nas salas de cinema e nas mentes pensantes, encantando homens e mulheres com histórias pouco reais e um tanto libertadoras. De Bonequinha de Luxo (1961) de Blake Edwards à Uma Linda Mulher (1990) de Garry Marshall as prostitutas no cinema surgem sempre dispostas a apaixonar quem as tiver olhando; lindas, bem-humoradas e libertas de possíveis amarras que só a sociedade pode trazer, afinal a prostituta no cinema americano sempre é apresentada de forma pouco real e cada vez mais influente. Quem nunca quis ouvir Holly Golightly (Audrey Hepburn) cantando Moon River na sacada da sua janela? ou ver Vivian (Júlia Roberts) ao seu lado com decotes e mascando chicletes? Tal façanha do cinema americano é possível já que histórias de amor entre cliente e prostituta sempre fazem sucesso. Só que o desinteresse carnal que o cinema americano apresenta entre os personagens é quase irreal entre as esquinas de Los Angeles, Nova York ou do Brasil mesmo, assim como o possível falso luxo, a possível falsa felicidade das protagonistas ou transformação desta em novas cinderelas. Nos países latino-americanos, inclusive no Brasil, a prostituição é somada à miserabilidade, ao tráfico de drogas, à exploração sexual, à DST´s, nada encantador né ?!?. Nas produções historiográficas tal abordagem não é diferente, já que a prostituta é focalizada como resposta a uma situação de miséria econômica ou como transgressão a uma ordem moral rígida e castradora. As representações cinematográficas apresentam um prostituta que trabalha por fuga ao casamento e à monotonia da vida doméstica, representando a mulher com rebeldia e heroísmo; como sujeito feminino capaz de desafiar as imposições morais dos dominantes. Que o estigma de mulher que convive entre a liberdade e a libertinagem fascina, isso ninguém pode duvidar; as prostitutas com seu ar liberal e ousado entre tantas mulheres pudicas e tímidas buscam com seu comportamento desterritorializar os espaços a qual foram marcadas, influenciando assim nossas mulheres, ainda bem. Segundo Suely Rolnik em Cartografia Sentimental (2011) as mulheres vendo as possibilidades - que o só a audácia do cinema mostra -  se desterritorializam, modificam sua percepção de mundo, seus sonhos, seus costumes, sua vivência. A produção de novas máscaras (novos jeitos, gestos, expressões e palavras) que só a prostituta traz torna-se indispensável. No entanto as produções cinematográficas acabam sempre na tentativa de construir uma representação de prostituta diferente daquela que a antropologia e a historiografia estudam acerca da problemática da prostituição, os filmes acabam sempre se aproximando do conservadorismo ao mostrar uma mulher que no desfecho da obra procura um homem para tirá-la do prostíbulo, casar-se com ela e ter filhos assim como a sociedade “espera” que toda mulher faça. Com tal representação, a mulher acaba não se desterritorializando da família, do sexo, do lar, do outro, da gente. Permanecendo sempre como "objetos e presas" como aborda Michel Foucault.

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